AEROPORTO JK: Leilão do terminal aéreo de Brasília, o “filé com osso”, atrai suíços e argentinos
Leilão do aeroporto de Brasília, o “filé com osso”, atrai suíços e argentinos
O Governo se prepara para leiloar a concessão do Aeroporto de Brasília em 17 de dezembro, com uma modelagem em que o ativo será oferecido aos investidores junto com outros dez terminais menores pelo País.

O próprio Ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, definiu o formato como um “filé com osso” : para levar Brasília – um terminal internacional e importante hub de conexões nacionais – o concessionário precisará assumir operações deficitárias na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.
“O desenho não ficou legal para o mercado,” uma fonte de um grupo de infraestrutura que decidiu não entrar na disputa disse ao Brazil Journal.
Embora alguns tenham achado que o prato ficou com osso demais, há outros se movimentando para avaliar o leilão. “A Zurich tem mostrado bastante interesse,” disse uma fonte do setor.
Os suíços da Zurich Airport, que operam os terminais de Florianópolis, Macaé, Vitória e Natal, travaram uma disputa acirrada com os espanhóis da Aena na licitação do Galeão, em 30 de março.

Agora, a expectativa é de que mostrem grande apetite também em Brasília, tendo como importante rival a Corporación America, a atual concessionária.
Listada na bolsa de Nova York, a Corporación America faz a gestão de 52 terminais em seis países, incluindo 33 na Argentina, e opera Brasília por meio da Inframerica, uma JV com a Infraero – que deixará o negócio após o leilão.
“Esses dois (Zurich e Corporación America) são os (potenciais concorrentes) mais promissores. Com ASUR e Aena correndo por fora,” disse uma outra fonte próxima ao processo.

Enquanto a Aena opera 17 aeroportos no País, incluindo Congonhas, e se prepara para assumir o Galeão nos próximos meses, os mexicanos da ASUR acabam de concluir a aquisição da plataforma de aeroportos da Motiva.
Após a transação, que envolveu R$ 12 bilhões por participações em 20 terminais, incluindo 17 no País, o CEO da ASUR, Adolfo Castro, disse que “o Brasil ocupa uma posição central na estratégia de crescimento.”
O ex-CEO da Embratel e ex-vice presidente da Telmex, Jose Formoso, foi contratado para comandar a operação local do grupo.
A licitação de Brasília decorre de uma repactuação contratual após a crise econômica do Governo Dilma e a pandemia terem desequilibrado as operações.
A atual concessionária Corporación América poderá participar para tentar ficar com o ativo – em um modelo similar ao adotado com o Galeão, em março, no qual as operadoras Vinci Compass e Changi chegaram a fazer ofertas no leilão.
Junto com a “joia da coroa”, os aeroportos regionais que entraram no pacote são Alto Paraíso de Goiás (GO), Barreiras (BA), Bonito (MS), Cáceres (MT), Dourados (MS), Juína (MT), Ponta Grossa (PR), São Miguel do Araguaia (GO), Tangará da Serra (MT) e Três Lagoas (MS).
Não haverá cobrança de outorga. O vencedor será quem oferecer ao Governo uma maior contribuição variável sobre sua receita bruta, partindo de um mínimo de 5,9%.
O grupo vitorioso deverá pagar um valor fixo de R$ 628,7 milhões à Infraero – que vai sair da operação. E ainda vai se comprometer a investir R$ 1,2 bilhão no aeroporto de Brasília e R$ 857,8 milhões nos demais.
A lista de obras a cargo da nova concessionária incluirá a construção de um novo terminal internacional em Brasília, além de um edifício-garagem e uma nova via de acesso.
Único aeroporto do País com duas pistas capazes de operar simultaneamente, Brasília é considerado um ativo atraente, mas a obrigação de assumir outros terminais, deficitários, e o prazo curto do contrato, até julho de 2037, são os principais riscos para os interessados, disse Ana Cândida, sócia de Infraestrutura e Regulação do BMA Advogados.
“O modelo impõe investimentos e operação de terminais com baixo movimento de passageiros, muitos deles em localidades com infraestrutura limitada. Isso representa um custo operacional contínuo, que pode não se pagar no prazo restante do contrato. E esse horizonte é significativamente inferior ao das concessões de longo prazo típicas no setor, de 25 a 30 anos.”
Entre os aeroportos do pacote, os destaques positivos são o de Bonito, “um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil”, e os de Dourados e Três Lagoas, que podem ter papel estratégico para o agronegócio e o setor de celulose, respectivamente, disse Ana Cândida.
Por outro lado, os de São Miguel do Araguaia e Alto Paraíso de Goiás têm “baixíssima demanda”, assim como Juína, Cáceres e Tangará da Serra, onde o movimento ainda é “insuficiente para justificar operações aéreas operações aéreas comerciais regulares sem subsídio,” disse a advogada do BMA.
A visão do Governo é de que o custo dessas operações deve ser compensado por Brasília, quarto aeroporto mais movimentado do País. O terminal recebeu mais de 9,7 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais até julho, alta de 8% ante mesmo período de 2025.
Se esse filé vai compensar o osso, saberemos até 10 de dezembro, data em que os potenciais interessados deverão apresentar suas propostas para o leilão.(*BrazilJournal)

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