TERMINAL AÉREO JK: 5 grupos demonstram interesse pelo novo leilão da concessão do Aeroporto de Brasília
Foi concluída mais uma etapa prévia do leilão para a escolha de um novo gestor do Aeroporto Internacional de Brasília. Nos dias 19 e 20, o governo federal realizou o roadshow, atividade que busca tirar dúvidas dos potenciais investidores.
Pelo menos cinco grandes grupos econômicos participaram do roadshow, pelo qual o Ministério de Portos e Aeroportos, ANAC e Secretaria do PPI apresentaram a proposta e as regras de leilão para a escolha de um novo gestor do Aeroporto Internacional de Brasília.
O leilão está previsto para ocorrer em 17 de dezembro deste ano. O vencedor ainda assumirá a gestão de dez aeroportos de pequeno porte – oito no Centro-Oeste, um no Paraná e um na Bahia -, atualmente geridos por governos municiais ou estaduais.
A busca de um novo gestor acontece num momento em que a cia aérea Gol anuncia o fim da operação de cinco rotas internacionais que partem do Aeroporto JK.
Uma para o México deixou de operar em agosto e outras quatro serão paralisadas em 31 de janeiro de 2027.
Nas reuniões presenciais ou virtuais estiveram presentes a Companhia Telefônica TIM, o Banco Bradesco BBI, a Zurich Airport, RZK Concessões e a Infraway.
Chamou a atenção a ausência até agora, de grupos que tradicionalmente administram aeroportos no Brasil, como a espanhola Aena, que administra Congonhas e Galeão; a mexicana Asur (Grupo Aeroportuario del Sureste), que adquiriu do Grupo CCR/Motiva as concessões de 17 aeroportos no Brasil – dentre eles os de Palmas, Goiânia, São Luís e Teresina -; a Vinci Airports, responsável pelos aeroportos de Salvador, Manaus e mais seis aeroportos menores na Região Norte; e a Changi Airport Group, de Cingapura, que até recentemente administrava o Aeroporto do Galeão, no Rio.
Até o dia 23, pedidos de esclarecimento ainda poderão ser encaminhados ao governo. A presença no roadshow não é pré-requisito para participar do pregão.
Também não há impedimento de que empresas que já administram outros terminais participem do pregão de Brasília. A entrega das propostas, acompanhadas das garantias exigidas, está prevista para 10 de dezembro.

A Zurich Airport, gestora dos aeroportos de Florianópolis, Natal, Vitória e Macaé, foi uma das empresas que demonstraram interesse no leilão do Aeroporto Internacional de Brasília.
Interessados
Dos cinco grupos que buscaram mais informações junto ao governo, a Zurich Airport é a gestora mais tradicional neste mercado aeroportuário.
A empresa detém 100% das operações dos aeroportos de Florianópolis, Natal, Vitória e Macaé, em contratos de concessão com duração de 30 anos.

Em 2025, a qualidade dos serviços prestados no Aeroporto Internacional de São Paulo foi reprovado em uma avaliação anual realizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O Aeroporto é administrado pela GRU-Par, empresa na qual o Banco Bradesco BBI fez uma oferta de reestruturação financeira e acionária, buscando uma participação de 25%.
O Banco Bradesco BBI vem tentando entrar neste segmento por meio da reestruturação financeira e recapitalização do grupo Invepar, sócio da GRU-Airport, empresa que administra o Aeroporto Internacional de São Paulo.
A gestão do aeroporto está sob responsabilidade da Grupar, que detém 51% da GRU-Airport, sendo os outros 49% da estatal Infraero.
A Invepar possui 80% da Grupar, ficando o restante com multinacional Airports Company South África.
O plano do Bradesco, apresentado em agosto, previa aporte de R$ 200 milhões, e uma possível participação acionária de 25% na empresa, além de um adiamento de R$ 655 milhões em debêntures para 2033. A proposta não foi bem recebida pelos fundos de previdência Petros, Previ e Funcef.
As negociações ainda não tiveram um desfecho, mas o interesse ora despertado pelo Aeroporto JK pode ser um indicativo de que o Bradesco BBI está fortemente interessado em entrar no setor aeroportuário.
O grupo RZK já se faz presente em Brasília como sócia da empresa Catedral, que administra a Estação Rodoviária do Plano Piloto. Em São Paulo, a RZK Concessões é na gestão de espaços em terminais urbanos ligados a linhas do Metrô de São Paulo e da CPTM.
A RZK Concessões pertence ao RZK Grupo, que possui um leque de atuação: desenvolvimento urbano, infraestrutura, energia renovável, locação de equipamentos e tecnologia, agronegócio, concessionárias de máquinas e tratores, telecomunicações, empreendimento imobiliários, dentre outros.
A RZK Concessões não gere nenhum terminal aeroviário. Em Brasília, o grupo, por meio da RZK Empreendimentos Imobiliários Ltda. é sócio da Atlântica Construções, Comércio e Serviços Ltda na empresa Catedral, que administra a Estação Rodoviária do Plano Piloto. Também lá se faz presente a RZK Digital que opera paineis eletrônicos de mídia. As outras concessões que ela possui estão focadas na administração de espaços em terminais urbanos ligados às linhas Azul e Vermelha do Metrô de São Paulo e nas linhas Turquesa, Coral, Safira e Jade, da CPTM. Por meio destes contratos, ela basicamente administra a locação de espaços comerciais dos terminais metroviários e ferroviários e é responsável pela revitalização dos terminais, incluindo atividades de zeladoria, reforma, segurança, limpeza, manutenção, paisagismo e a edificação de 13 terminais urbanos.

O grupo Infraway tem foco na elaboração de projetos de engenharia de infraestrutura. Assim, atuou na expansão ou reforma de aeroportos importantes, como o de Porto Alegre, Recife, Fortaleza e Confins/MG.
O grupo Infraway tem foco na elaboração de projetos de engenharia de infraestrutura. Assim, atuou nos aeródromo Coroa do Avião, em Pernambuco; e Morro Vermelho, em Jaú/SP; e na expansão ou reforma de aeroportos importantes, como o de Porto Alegre, Recife, Fortaleza e Confins/MG.
A presença da Tim Brasil, pertencente a Telecom Itália, foi a que levantou mais curiosidade entre os especialistas que acompanham o processo.

Há 25 anos no Brasil, a Tim é focada exclusivamente no mercado de telecomunicações (telefonia móvel, fixa, internet e serviços digitais).
Sua presença mais próxima a este setor econômico se dá mediante o fornecimento de rede móvel (como redes 4G e 5G), wi-fi dentro de aeroportos.
Há 25 anos no Brasil, a Tim é focada exclusivamente no mercado de telecomunicações (telefonia móvel, fixa, internet e serviços digitais). Sua presença mais próxima a este setor econômico se dá mediante o fornecimento de rede móvel (como redes 4G e 5G), wi-fi dentro de aeroportos e terminais logísticos e internet a bordo. Eventualmente, devido ao caderno de exigências de melhorias no Aeroporto JK, a cia telefônica tenha ido identificar serviços que ela poderia se credenciar a fazer, porém via nova concessionária.
Razão do Leilão
A oferta ao mercado do terminal da Capital Federal se deve ao fato de a atual concessionária, a Inframérica, ter alegado ao governo que a gestão do Aeroporto JK daria prejuízos e que as estimativas de voos e passageiros apontados quando do leilão anterior, em 2012, não terem se materializado. O vencedor irá gerir os terminais até 2037. A Inframérica é obrigada a participar do leilão, denominado Procedimento Competitivo para Repactuação da Concessão do Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek, oferecendo pelo menos as bases mínimas consensuadas, num processo supervisionado pelo Tribunal de Contas da União.
Ao contrário do leilão do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, o de Brasília não implicará em pagamentos de valores à vista, um sinal, à União. Além de não receber nenhum sinal de entrada, não haverá qualquer remuneração anual ao longo dos cinco primeiros anos. O primeiro pagamento dar-se-á apenas em 2031, com base na receita de 2030.
O vencedor deverá assumir o compromisso de realizar um caderno de investimentos, estimado em R$ 1,2 bilhão, e adquirir da Infraero, sócia do grupo argentino Corporación América S/A (51%), a parte que lhe cabe na sociedade (49%). Caso a Inframérica não vença, os dois atuais acionistas serão indenizados proporcionalmente com base no saldo financeiro da própria companhia concessionária, estimado em aproximadamente R$ 557 milhões, na data de 30 de junho de 2026. Em todas as hipóteses, a Infraero deixará de ser cogestora do Terminal JK e fará direito a 49% do montante.
Dentre as melhorias exigidas da nova concessionária, estão a ampliação do terminal internacional de passageiros – um prolongamento do atual, para propiciar sete novas pontes de embarque simultâneos, totalizando nove, com as duas hoje existentes – de forma a atender 1.400 passageiros internacionais em hora de pico; um novo acesso rodoviário ao aeroporto, conectando-o ao Lago Sul pela Base Aérea, construção de um edifício garagem para mil vagas, melhorias e ampliações no pátio das aeronaves, nas instalações de embarque doméstico, inclusive com instalação de quatro escadas rolantes e um elevador, que atenderiam passageiros em embarque remoto (com uso de ônibus); aquisição de novos equipamentos de segurança aeronáutica e aeroportuária, dentre outros. (*Por:Chico Santana)

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