AINDA FALTA CONSTRUIR: Continuando o legado, Niemeyer inspira novos projetos para Brasília
Mais de sessenta anos depois da fundação de Brasília, muitos lugares da cidade ainda não foram construídos conforme o planejado originalmente.
Alguns espaços foram modificados pelo uso do tempo e pela chegada de novas tecnologias, diferentes das que existiam quando Oscar Niemeyer criou suas obras mais famosas.

Agora, o Instituto Social Oscar Niemeyer de Projetos e Pesquisas (ISON) quer focar nesses espaços esquecidos para continuar o legado do arquiteto na capital.
O ISON foi criado em 2004 e só passou a usar o nome de Niemeyer anos depois, quando o próprio arquiteto autorizou a homenagem, e Vera Niemeyer, sua esposa, tornou-se presidente da instituição.
O instituto tem um trabalho que mistura patrimônio, arquitetura e ações sociais, buscando não apenas preservar a memória, mas promover projetos que beneficiem a sociedade.
A ideia do instituto é gerar recursos por meio de serviços técnicos e econômicos para financiar projetos de interesse público e ações sociais, criando uma estrutura sustentável para suas iniciativas.

João Batista de Morais Jr., superintendente do ISON, explicou que essa visão veio do próprio Niemeyer.
A equipe do instituto inclui especialistas de diversas áreas, prontos para desenvolver ideias que tirem do papel projetos para Brasília.
No campo cultural, o instituto já trabalhou com acervos históricos importantes e desenvolveu propostas para complexos arquitetônicos, como o de Maricá, no Rio de Janeiro.
Em Brasília, a intenção é dar vida a projetos que ainda não saíram do desenho e fortalecer a ligação da população com o patrimônio da cidade.
O ISON também participa de iniciativas sociais, como a recuperação de habitações sem desocupar os moradores e o uso de obras como escolas para ensinar ofícios a pessoas em situação vulnerável, transformando cada obra em um espaço de aprendizado.
No coração do Brasil
O instituto quer reforçar sua presença em Brasília, cidade profundamente ligada a Oscar Niemeyer, dono de obras como o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional e a Catedral Metropolitana. O objetivo não é apenas preservar os monumentos, mas também fazer com que esses espaços continuem relevantes para quem vive na cidade, promovendo o turismo e o envolvimento social.

Projetos que ainda esperam
Algumas ideias do arquiteto para Brasília ainda estão no papel. Entre elas estão a Praça da Soberania, planejada para ser um memorial dos presidentes, e a Praça do Povo, um espaço amplo para encontros e manifestações populares.
O ISON deseja reabrir o debate sobre esses projetos, considerando-os essenciais para completar o desenho do Plano Piloto. O instituto tem os estudos e desenhos, aguardando interesse público e recursos para transformá-los em realidade.
Um museu virtual para Niemeyer
Outra iniciativa do instituto é criar um museu virtual em Brasília para reunir e mostrar a obra do arquiteto, incluindo suas construções pelo Brasil e pelo mundo. Com tecnologia avançada, o museu teria visitas em 3D, atividades interativas e um auditório, oferecendo uma experiência completa para turistas, estudantes e pesquisadores.
Preservar com visão
Com a popularização de imagens aéreas, o instituto destaca a importância de cuidar da estética dos telhados e coberturas dos prédios, que hoje aparecem com frequência em vídeos e fotos feitas de cima. Eles devem estar em harmonia com o conjunto arquitetônico protegido pelo tombamento.
Um exemplo é a Catedral, cuja entrada e iluminação foram pensadas para criar uma experiência emocionante, que pode ser alterada por mudanças nas estruturas visíveis do alto.
Voltando para Brasília
O ISON quer estar mais próximo de Brasília para facilitar conversas e parcerias com órgãos como a Universidade de Brasília, governos federal e local, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A ideia é unir a tradição monumental com a vida moderna da cidade, enfrentando desafios urbanos e sociais atuais.
Oscar Niemeyer morreu em 2012, mas sua obra e suas ideias seguem vivas, inspirando novos projetos que esperam sair do papel.

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