DELEGACIA ELETRÔNICA: Polícia Civil de Brasília lança ferramenta para facilitar denúncias de fraudes pela internet
Sistema funciona como um questionário inteligente dentro da Delegacia Eletrônica
A Polícia Civil do Distrito Federal desenvolveu uma nova ferramenta para facilitar o registro de denúncias de fraudes pela internet.
O sistema funciona como um questionário inteligente dentro da Delegacia Eletrônica e orienta a vítima a fornecer informações essenciais para o início da investigação.
A plataforma pode ser usada para diferentes tipos de fraude, como golpes envolvendo redes sociais, clonagem, cartões de crédito e compras.
Segundo o delegado Haendel Fonseca, chefe da Delegacia Eletrônica de Brasília, a ferramenta permite reunir dados de forma mais rápida e direcionada. Após o preenchimento, as informações são encaminhadas às unidades responsáveis pela investigação.
O registro também gera um documento público que pode ser apresentado às instituições financeiras em pedidos de bloqueio de valores eventualmente desviados.

A mudança organiza em um formulário próprio as queixas de quem caiu em golpe financeiro e dispensa a ida a uma unidade policial para abrir o boletim.
Até então, quem perdia dinheiro em um golpe por aplicativo de mensagem, por transferência via Pix ou por compra em site falso precisava encaixar o relato em categorias genéricas do sistema, o que deixava o registro incompleto e atrasava a triagem. Com a nova opção, a vítima responde a um questionário orientado pelo tipo de crime e o próprio sistema classifica a ocorrência entre estelionato, furto mediante fraude e outras fraudes. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles em 15 de setembro de 2026.
O que o formulário pede
O preenchimento leva cerca de oito minutos, segundo a descrição do sistema. As perguntas variam conforme o caso e podem pedir dados que a vítima nem sempre tem à mão no momento em que percebe o prejuízo. Vale reunir tudo antes de começar:
- banco, agência e conta de onde o dinheiro saiu;
- dados do cartão usado na transação, quando houver;
- a conta que recebeu o valor;
- a chave Pix do destinatário;
- o valor do prejuízo;
- documentos, prints e comprovantes, que podem ser anexados ao registro.
Quanto mais completo o anexo, menor a chance de o caso voltar para complementação. Comprovante de transferência, conversa com o golpista e endereço do site usado na fraude são os elementos que sustentam a investigação.
Quando ainda é preciso procurar uma delegacia
A Delegacia Eletrônica não cobre todas as situações. Ocorrência com violência, ameaça presencial, flagrante ou necessidade de perícia continua exigindo atendimento presencial, e o mesmo vale para casos que envolvem violência doméstica, atendidos pelas delegacias especializadas. O registro on-line serve ao crime patrimonial sem confronto, que é exatamente o perfil da maior parte dos golpes financeiros.
O sistema já vinha sendo ampliado. Em agosto, a Delegacia Eletrônica passou a ser acessada também pelo portal do Conselho Regional de Medicina de Brasília, em um convênio voltado ao registro de ocorrências por profissionais de saúde. O boletim on-line pode ser consultado e impresso depois pelo mesmo endereço, procedimento que o SouBrasília já detalhou em guia sobre o boletim de ocorrência on-line.
O registro é o começo, não o fim
Abrir o boletim não recupera o dinheiro por si só. O documento é a base para dois caminhos que correm em paralelo: a apuração criminal, conduzida pela Polícia Civil, e a contestação da transação junto ao banco ou à instituição de pagamento, que costuma exigir o número da ocorrência. Em golpes por Pix, o Banco Central mantém o Mecanismo Especial de Devolução, acionado pela própria instituição financeira da vítima, com prazo curto a partir da comunicação.
A orientação prática é registrar cedo. Quanto mais rápido a fraude entra no sistema, maior a chance de a conta de destino ainda ter saldo e de o bloqueio surtir efeito. Esperar o fim de semana passar, ou tentar resolver primeiro pelo telefone com o suposto golpista, costuma custar a devolução.
A Delegacia Eletrônica do Distrito Federal funciona pela internet, sem hora marcada, e o registro pode ser feito do celular. A Polícia Civil não divulgou balanço do número de ocorrências recebidas na nova categoria desde a mudança.
As 15 ocorrências que podem ser registradas pela internet
A lista oficial publicada no site da Delegacia Eletrônica é maior do que a maioria das pessoas imagina e inclui casos com violência. São elas:
- Maria da Penha On-line;
- Acidente de trânsito sem vítima;
- Ameaça;
- Desaparecimento de pessoa;
- Fraudes;
- Extravio ou perda;
- Furtos;
- Furto de cabos;
- Lesão corporal;
- Maus-tratos aos animais;
- Ofensas: injúria, calúnia ou difamação;
- Ofensas raciais;
- Perturbação;
- Roubo;
- Outros crimes.
O quadrante Outros Crimes foi criado pela PCDF justamente para os casos que não se encaixam nas demais categorias. Ao usar essa opção, a corporação avisa que o comunicante deve guardar as possíveis provas do crime, como fotos, vídeos, documentos e comprovantes, porque elas podem ser exigidas em exame pericial e apresentadas depois à delegacia responsável pela apuração.
Quando o caminho não é o site
Crime em andamento, risco à vida ou necessidade de equipe no local não se resolvem por formulário. Nesses casos, ligue para o 190. Situações de violência contra a mulher também têm a Central de Atendimento à Mulher pelo 180, gratuita, sigilosa e 24 horas.
A PCDF lista as ocorrências que exigem atendimento em delegacia física: homicídio, infanticídio, aborto, induzimento ou auxílio ao suicídio, lesão corporal grave ou seguida de morte, latrocínio, roubo de veículo ou de carga, roubo com restrição de liberdade e os demais crimes contra o patrimônio com violência, extorsão mediante sequestro, estupro e estupro de vulnerável e furto de veículo. Flagrante também é registro presencial, na delegacia mais próxima.
O próprio sistema faz uma triagem antes de liberar o preenchimento. No formulário de extravio e perda, duas perguntas aparecem logo na abertura: se o comunicante acredita ter sido vítima de furto e se o que sumiu foi arma de fogo, artefato explosivo, munição ou motor de qualquer espécie. As respostas definem se o caso segue on-line ou se precisa de atendimento presencial.
Passo a passo do registro
Separe os dados antes de começar, porque o formulário pede informação detalhada de local e horário. A sequência é esta:
- Acesse delegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br e escolha a natureza que descreve o caso;
- Responda ao questionário de triagem da categoria;
- Informe o período do fato, com data e hora de início e de fim;
- Preencha o local: UF, cidade (a lista traz todas as regiões administrativas do DF), setor, quadra e complemento com pontos de referência;
- Descreva o que aconteceu. O sistema orienta redigir o texto em terceira pessoa e em letras minúsculas;
- Cadastre ao menos um envolvido, escolhendo entre comunicante, comunicante/proprietário ou proprietário, com CPF, RG, filiação e endereço;
- Liste os objetos envolvidos, item por item, com marca, modelo, cor, número de série e valor estimado;
- Revise tudo e finalize. O sistema gera o número da ocorrência e o recibo.
Em extravio, furto e roubo não há limite de objetos, mas cada um precisa entrar em um campo próprio, com no máximo 200 caracteres na descrição.
No caso de celular, anote o IMEI antes de registrar. O número aparece ao digitar *#06# no aparelho ou na caixa do produto. Sem o IMEI, o bloqueio só pode ser pedido presencialmente. O bloqueio do aparelho não derruba a linha: para isso é preciso falar com a operadora.
Golpe, PIX e transferência: o dado que evita o cancelamento
Esta é a causa mais comum de registro perdido. A PCDF avisa em destaque na página inicial da Delegacia Eletrônica que ocorrências envolvendo transações bancárias precisam trazer os dados completos da operação, sob pena de o registro não seguir adiante.
“Nas ocorrências que envolvam transações bancárias/transferências de valores, é necessário que sejam informados os dados referentes às agências, numerações de conta, instituições financeiras, chaves pix e valores. Ausentes esses dados, a ocorrência poderá ser cancelada”, informa a Polícia Civil do DF.
Se isso acontecer, é possível fazer um novo registro pela Delegacia Eletrônica ou procurar qualquer delegacia presencialmente. Por isso vale abrir o extrato e copiar agência, conta, banco de destino, chave PIX usada e valor exato antes de começar o formulário.
Ocorrência sobrestada: 10 dias para responder
Depois do envio, o registro passa por análise policial e pode ser sobrestado, ou seja, ficar parado à espera de informação que faltou. Nesse caso, o comunicante recebe um e-mail com o pedido de complemento.
“Este e-mail deverá ser respondido em até 10 dias. O não encaminhamento das informações ocasionará o CANCELAMENTO da ocorrência”, diz a orientação oficial da PCDF.
A ocorrência sobrestada volta a valer quando a informação é corrigida pelo e-mail dpeletronica@pcdf.df.gov.br. A cancelada não é reaproveitada: é preciso registrar de novo. Vale informar um e-mail que você acompanha de verdade e checar a caixa de spam nos dias seguintes.
Como acompanhar o caso depois do registro
O andamento da apuração não é consultado pela Delegacia Eletrônica, que cuida apenas da análise, homologação e distribuição das ocorrências. A delegacia responsável aparece no campo Identificação, logo abaixo do número da ocorrência, e é lá que o caso é acompanhado.
Para corrigir dados de um registro de acidente de trânsito sem vítima ou de extravio, o pedido vai por e-mail para dpeletronica@pcdf.df.gov.br, com o número da ocorrência. Em ocorrências criminais, a alteração é tratada na delegacia que apura o fato.
O registro on-line é uma declaração de boa-fé. Prestar informação falsa em boletim de ocorrência é crime, então descreva apenas o que aconteceu, sem exagerar prejuízo nem omitir detalhe.
Perguntas frequentes
Qual é o site da delegacia eletrônica do distrital?
É delegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br, sistema oficial da Polícia Civil do Distrito Federal. O registro é gratuito, feito pela internet, e a mesma página tem a opção de imprimir uma ocorrência já registrada.
Como imprimir o boletim de ocorrência online da PC-DF?
Pelo menu Imprimir Ocorrência, em delegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br/Ocorrencia/Consultar, com o número do recibo gerado no fim do registro. Para BO feito presencialmente, informe também o número e o ano da ocorrência.
Por quanto tempo o BO online fica disponível para impressão?
Por até 30 dias após o registro. A cópia fica pronta em até 24 horas e também é enviada para o e-mail informado. Passado o prazo, o documento é retirado em qualquer unidade da Polícia Civil.
Dá para registrar ameaça e violência doméstica pela internet na Grande Brasília?
Sim. Ameaça, lesão corporal e Maria da Penha On-line estão entre as 15 naturezas listadas no site da Delegacia Eletrônica da PC-DF. Em situação de risco imediato, porém, o caminho é ligar 190 ou 180.
Por que meu boletim de ocorrência online foi cancelado?
As duas causas mais comuns são a falta dos dados bancários em casos de golpe, como agência, conta, chave PIX e valor, e a falta de resposta ao e-mail enviado quando a ocorrência é sobrestada, que precisa ser respondido em até 10 dias.
Quanto custa fazer o BO online no Distrito Federal?
Nada. O registro na Delegacia Eletrônica da PC-DF é gratuito e pode ser feito pela internet, sem precisar ir à delegacia.

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