ELEIÇÕES PARA O BURITI: Na disputa pelo GDF, conheça os candidatos e o que está em jogo
O prazo para as convenções partidárias terminou, e o Distrito Federal já apresenta o cenário eleitoral definido para 2026.
Seis candidatos disputarão o governo da capital federal, entre eles a atual governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD).
Pelo campo progressista, o PT apresenta Leandro Grass, enquanto o PSB aposta em Ricardo Cappelli.
No centro-direita, estarão na disputa a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo, do partido Novo.
Ainda que as candidaturas estejam confirmadas, o cenário pode mudar até as eleições de outubro devido a eventos importantes, como a crise financeira no Banco Regional de Brasília (BRB), questões legais envolvendo candidatos e divisões internas no campo progressista, aspectos que podem influenciar as decisões dos eleitores.
Celina Leão lidera as pesquisas, contando com a vantagem de já estar no cargo.
Sua gestão tem visibilidade, e ela pode apresentar suas conquistas desde que assumiu, além de contar com apoio político herdado do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
No entanto, ela também enfrenta desgaste associado à crise do BRB.
José Roberto Arruda tem uma forte base de apoio conservador e é uma opção de peso contra Celina, contribuindo para uma disputa acirrada no campo da centro-direita e direita.
Porém, sua candidatura está ameaçada por questões judiciais que podem ser decisivas nos próximos meses.
No campo progressista, a disputa está dividida.
O PT aposta em Leandro Grass, que é o candidato mais competitivo da esquerda, mas enfrenta a concorrência de Ricardo Cappelli, que iniciou sua campanha mais cedo.
Já Kiko Caputo e Paula Belmonte representam posições mais centristas e aparecem como alternativas para evitar uma polarização extrema.
Crise no BRB
O Banco Regional de Brasília enfrenta uma grave crise financeira e de confiança após a 'Operação Compliance Zero', conduzida pela Polícia Federal, que revelou fraudes envolvendo o Banco Master e causou um prejuízo estimado em R$ 12 bilhões.
O BRB ainda não divulgou seus balanços financeiros de 2025, documentos fundamentais para medir o tamanho do rombo.
O prazo para a divulgação desses balanços terminou em 31 de março, e o banco informou que a finalização depende de auditorias e negociações com órgãos reguladores.
Sociando a crise, a governadora Celina Leão negociou um acordo no Supremo Tribunal Federal que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos, mas até o momento os recursos não foram liberados, aumentando o risco de liquidação do banco.
Para o especialista em Ciências Políticas, Prof. Dr. Gustavo Javier Castro, essa crise será um tema central durante a campanha.
Caso o acordo não se concretize antes das eleições, Celina terá que responder por essa demora, enfraquecendo sua candidatura.
A liquidação do BRB causaria insegurança para clientes, servidores, empresários e cidadãos, além de levantar dúvidas sobre o uso de dinheiro público para cobrir prejuízos.
Assim, a crise no BRB é provavelmente a maior vulnerabilidade da candidatura de Celina Leão, embora os impactos exatos nas eleições ainda sejam difíceis de prever.
Arruda e a Lei da Ficha Limpa
José Roberto Arruda enfrenta um desafio jurídico. Inabilitado para concorrer desde 2014 por causa de um processo de improbidade administrativa relacionado à Operação Caixa de Pandora, ele poderia estar inelegível para 2026.
Contudo, mudanças na Lei da Ficha Limpa reduziram o prazo de inelegibilidade para oito anos após condenação em segundo grau.
O Supremo Tribunal Federal avalia atualmente a constitucionalidade destas modificações, e a decisão ainda não foi concluída, podendo inviabilizar sua candidatura.

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