O número de multas por avançar o sinal vermelho no Plano Piloto e nas cidades-satélites cresceu significativamente.

Uma pesquisa da 'fintech' especializada em débitos de veículos 'Zapay' mostrou que, ao comparar os meses de janeiro a maio dos anos de 2025 e 2026, houve um aumento de 16,26% nesse tipo de infração.
Esses dados foram baseados na base da 'Zapay'.
Avançar o sinal vermelho é uma infração gravíssima segundo o Artigo 208 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A penalidade inclui multa no valor de R$ 293,47 e a soma de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A única exceção legal é quando há sinalização específica no local permitindo a livre conversão à direita.
O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) também confirmou o aumento nas multas para motoristas que desrespeitaram o sinal vermelho.
Segundo o Detran distrital, foram aplicadas 48.942 multas por essa infração entre janeiro e maio de 2025. No mesmo período de 2026, o número subiu para 52.944 autuações, representando um crescimento de 8,18%.
Esses dados são preliminares e envolvem os órgãos de trânsito da capital federal, incluindo Detran brasiliense, Polícia Militar (PM-DF) e Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF).
Avançar o sinal vermelho ou o sinal de parada obrigatória – exceto nas situações em que há sinalização permitindo conversão à direita conforme o Código de Trânsito Brasileiro – é considerado uma infração gravíssima, com penalidade de 7 pontos na carteira de motorista e multa de R$ 293,47.
Além de criar riscos em cruzamentos, essa prática também coloca em perigo os pedestres.
Na Avenida Alagados por exemplo, em Santa Maria, um semáforo para pedestres é frequentemente desrespeitado.
Em poucos minutos, a reportagem presenciou vários motoristas cruzando a faixa mesmo com a preferência dos pedestres.
Raimunda de Oliveira, aposentada de 73 anos que mora em Santa Maria, comentou que precisa redobrar a atenção ao atravessar, mesmo quando o sinal está verde para pedestres.
“Já me acostumei a olhar bem à distância para garantir que não virá nenhum carro, porque alguns motoristas não respeitam o sinal vermelho”, disse. Ela relata que é comum apertar o botão para atravessar, mas os carros continuarem passando. “Eu tenho medo. Outro dia, quase atropelaram uma senhora aqui ao atravessar”, contou. Ela ainda disse que só atravessa se o carro estiver longe e, quando os motoristas respeitam o sinal, costuma agradecer mentalmente.
O Detran distrital informou que realiza patrulhamento e fiscalização constantes para coibir infrações em todo o Distrito Federal. Além da presença física dos agentes, o monitoramento é reforçado por equipamentos eletrônicos, como radares, que ajudam a garantir a segurança no trânsito e o cumprimento das regras.
Outras infrações em
alta ou em queda
Segundo o estudo da 'Zapay', não só o avanço do sinal vermelho apresentou crescimento.
As multas por falta de cinto de segurança subiram 9,07%, e as relacionadas a problemas na iluminação ou sinalização do veículo aumentaram 11,89%.
Esses números indicam que os comportamentos arriscados no trânsito da capital não se limitam a apenas uma infração.
O excesso de velocidade é o tipo de infração mais comum, representando 55,83% de todas as multas no Plano Piloto e nas cidades-satélites, quase o dobro da média nacional que é de 32,62%.
O uso do celular ao volante permaneceu estável, com uma pequena redução de 1,54%, mas isso não significa que o problema foi resolvido, já que o uso do aparelho pode diminuir o tempo de reação do motorista, aumentando o risco de acidentes.
Por outro lado, as infrações por estacionamento ou parada proibida diminuíram 30,83%, a maior queda entre todas as categorias analisadas. Também houve redução de 10,73% nas multas relacionadas à falta de CNH ou direção sem habilitação, o que mostra que algumas atitudes de risco estão diminuindo.
Débitos como IPVA e licenciamento representam 3,57% das infrações registradas no banco de dados da 'Zapay' em 2026. Essas pendências também afetam a rotina dos motoristas na capital.
