Alta de quase 25% no preço de barras e bombons em um ano pressiona orçamento das famílias; especialistas recomendam atenção aos rótulos e maior teor de cacau na hora da compra.

Com a proximidade da Páscoa, supermercados e lojas especializadas passam a exibir uma grande variedade de ovos, barras e caixas de bombons nas prateleiras.
As embalagens chamativas e a diversidade de sabores costumam atrair os consumidores, mas especialistas alertam que observar as informações nutricionais pode ajudar a fazer escolhas mais equilibradas, principalmente para quem busca reduzir o consumo de açúcar.
Além das questões de saúde, o preço também tem pesado no bolso. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram que chocolates em barra e bombons acumularam aumento de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026.
A alta tem influenciado diretamente o comportamento de compra de parte dos consumidores nesta Páscoa.
Mesmo diante desse cenário, o comércio mantém expectativa positiva. Pesquisa do Instituto FeComércio-DF aponta que 62,5% dos empresários dos setores de supermercados, mercearias, chocolaterias, floriculturas e cestas esperam vender mais neste ano em comparação com a Páscoa de 2025.
Outros 30,8% acreditam em resultado semelhante, enquanto 6,7% projetam queda nas vendas. O índice geral de confiança do levantamento ficou em 3,8%.

Cuidados com a alimentação
Para quem pretende comprar chocolate sem descuidar da alimentação, observar o rótulo pode fazer diferença. Segundo o médico Edson Ramuth, fundador da rede Emagrecentro, a tabela nutricional e a lista de ingredientes trazem informações importantes sobre a composição do produto. “Muitas vezes a escolha é feita pela embalagem ou pela marca, mas o rótulo mostra a quantidade de açúcar, o tipo de gordura utilizado e a qualidade dos ingredientes”, explica.
Uma das recomendações do especialista é dar preferência a chocolates com maior teor de cacau. Produtos com 50%, 60% ou 70% costumam ter menor adição de açúcar em comparação com versões ao leite. Outro ponto importante é observar a ordem da lista de ingredientes, que aparece sempre do maior para o menor em quantidade. Se açúcar, xarope de glicose ou açúcar invertido aparecem logo no início, isso indica maior concentração desses componentes.
Comparar a quantidade de açúcar na tabela nutricional entre marcas diferentes também pode ajudar na escolha. Já no caso do chocolate branco, o médico orienta verificar se a manteiga de cacau aparece entre os principais ingredientes, já que algumas versões utilizam outras gorduras vegetais no lugar.

O cuidado também vale para recheios. Chocolates com creme de avelã, caramelo, biscoitos ou brigadeiro tendem a concentrar mais açúcar e gordura, tornando o produto mais calórico. “O chocolate pode fazer parte da alimentação, mas o ideal é manter equilíbrio e evitar exageros”, afirma Ramuth.
Entre os consumidores, o aumento de preços tem levado algumas famílias a repensarem a tradição. Ao Jornal de Brasília, a moradora do Cruzeiro Denise Reis conta que costuma comprar chocolate na Páscoa, mas neste ano a situação financeira deve impedir a compra. “Eu tenho esse costume, mas este ano não vou conseguir porque estou sem trabalho e sem salário. E os preços estão mais altos”, relata. Ela também explica que, por questões de saúde, precisa ter cuidado com o que consome. “Eu não como todos os chocolates porque sou alérgica a açúcar e a glúten, então preciso tomar todos os cuidados possíveis”, afirma. Mesmo assim, diz que a família costuma consumir chocolate na data, mas sem exageros.
Já a tradutora de línguas estrangeiras Júlia Carvalho, de 22 anos, que mora em Sobradinho, conta que mantém o hábito de comprar chocolate na Páscoa, principalmente para presentear pessoas próximas. Ela visitou uma loja acompanhada do namorado, Leonardo Rodrigues, de 19 anos, instrutor de educação física. “Eu achei os preços tranquilos. Não senti um aumento em comparação ao resto do ano”, diz. Segundo ela, o casal acabou olhando mais barras e chocolates tradicionais do que ovos de Páscoa. Leonardo afirma que tenta manter moderação no consumo. “Eu procuro não exagerar porque sei que chocolate tem bastante açúcar, mas na Páscoa a gente acaba relaxando um pouco mais”, comenta.
Júlia também conta que, às vezes, prefere opções com maior teor de cacau. “Já procurei chocolates com mais cacau porque dizem que são mais saudáveis e têm menos açúcar. O sabor também é mais intenso”, afirma. Ainda assim, diz que não costuma se preocupar excessivamente com calorias durante a data comemorativa. “Eu gosto muito de chocolate, mas tento manter um equilíbrio no dia a dia”, completa.(*Fonte:JBr)
7 dicas para um consumo saudável de chocolate nesta Páscoa
Comer chocolate na Páscoa é quase obrigatório, e muitas pessoas adoram abusar desse doce no feriado. No entanto, é comum se preocupar também com as calorias e com o equilíbrio.
Seja para ficar na dieta ou para não exagerar, existem dicas que ajudam a aproveitar o açúcar sem negar um pedaço, mas também sem ter efeitos negativos.
Confira 7 dicas que te ajudarão a comer chocolate na Páscoa de maneira mais saudável:
1. Porções pequenas
Segundo o nutrólogo Diogo Toledo, do Hospital Israelita Albert Einstein, “a moderação é essencial no consumo”.
Embora o chocolate possa trazer benefícios à saúde, é importante estar ciente de que ele é rico em calorias, açúcares e gorduras, dependendo da sua composição.
Portanto, não existe uma quantidade ideal, e isso varia de acordo com as necessidades calóricas e nutricionais individuais, além da rotina, prática de atividade física e outros hábitos pessoais.
Além disso, mais importante que a quantidade, é a forma de consumo. O chocolate na Páscoa é abundante, mas vale comer apenas ocasionalmente, talvez como sobremesa após o almoço, e apenas nos momentos de vontade.
Comer sem atenção ou pela famosa gula pode trazer efeitos negativos no futuro.
Portanto, é recomendado evitar excessos e consumir apenas pequenas porções, entre 20 e 30 gramas diárias, o que equivale a dois ou três quadradinhos de uma barra de chocolate, dependendo da marca.

2. Prefira com mais cacau
A sugestão é sempre optar pelo chocolate amargo, com no mínimo 70% de cacau, devido ao seu maior teor de flavonoides, substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Segundo especialistas, esses compostos podem contribuir para a saúde cardiovascular e os níveis de colesterol.
Quanto maior o teor de cacau, menor será a quantidade de açúcar presente. Por outro lado, as versões de chocolate ao leite contêm menos cacau, enquanto o chocolate branco não oferece os mesmos benefícios à saúde associados aos outros tipos de chocolate.
3. Chocolate amargo é a saída
Enquanto isso, o chocolate amargo tende a proporcionar uma sensação maior de saciedade em comparação com a versão ao leite, e pode contribuir para reduzir a compulsão por doces e alimentos gordurosos.
Para aqueles que estão preocupados com o peso, a escolha ideal é sempre o chocolate amargo, com teor de cacau de 70% ou mais, consumido em pequenas porções e de forma ocasional.
4. Fique atento aos ingredientes
Produtos que contenham outros elementos, como castanhas e frutas secas, podem oferecer benefícios nutricionais adicionais, como fibras, proteínas e gorduras saudáveis.
No entanto, é importante lembrar que também podem aumentar a quantidade de calorias, especialmente para aqueles que estão monitorando o peso. Nesse sentido, quanto menos ingredientes adicionais, melhor.
5. Evite oferecer para crianças

Sabemos que o chocolate na Páscoa também é uma tentação para as crianças, mas vale ter atenção.
Crianças com menos de 2 anos não devem consumir açúcar e chocolate, especialmente a versão ao leite, que possui alto teor de açúcar. Acima dessa faixa etária, é recomendável optar por versões com menor quantidade de açúcar e maior teor de cacau, evitando aquelas com recheios e coberturas adicionais.
Segundo nutricionistas, essa escolha não apenas promove opções mais saudáveis, mas também ajuda a educar o paladar desde cedo, evitando a exposição constante a sabores extremamente doces.
Médicos orientam que as crianças devem aprender a associar o consumo de chocolate e outros doces a ocasiões especiais, como festas e aniversários, e não como parte da rotina diária.
Além disso, os pais devem incentivar o verdadeiro significado da Páscoa desde cedo, sem associá-lo exclusivamente ao consumo de chocolate.
6. Leia o rótulo
É fundamental observar os ingredientes e os valores nutricionais indicados no rótulo. Escolha chocolates com mínimas quantidades de açúcar adicionado e gorduras trans, além de menor valor calórico.
Pode parecer complicado, mas ler a tabela de ingredientes e seus valores nutricionais ajuda a escolher a melhor opção na Páscoa.
7. Siga as recomendações médicas
Por fim, indivíduos com condições como diabetes, obesidade ou alergias também podem comer chocolate na Páscoa, mas devem buscar orientação de um profissional de saúde.
Embora o consumo de doces não seja proibido nessas circunstâncias, é essencial seguir o plano estabelecido pelo médico, especialmente no caso de pacientes diabéticos, que precisam controlar os níveis de glicose no sangue.
Os especialistas enfatizam a preferência por produtos com alto teor de cacau e baixo teor de açúcar, consumidos em pequenas quantidades.
Além disso, atualmente, existem diversas opções de chocolates sem adição de açúcar, utilizando adoçantes artificiais e/ou naturais. Por isso, escolha com sabedoria para aproveitar com saúde!
Fonte: Revista Galileu
