O Distrito Federal registrou 13,1 mil veículos financiados entre novos e usados, ocupa a 15ª posição no ranking nacional e responde por 2,13% do total de operações no país.

O financiamento de veículos no Distrito Federal iniciou 2026 em trajetória de crescimento. Em janeiro, foram financiadas 13,1 mil unidades entre novos e usados, alta de 5,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados da Trillia, nova linha de negócios de dados da B3.
O resultado representa uma virada em relação a janeiro de 2025, quando Brasília havia registrado 12,4 mil financiamentos e leve recuo de 0,3% frente a 2024.
Agora, a unidade da Federação ocupa a 15ª posição no ranking nacional e responde por 2,13% do total de financiamentos do país.
O principal motor do crescimento foi o segmento de motos, que avançou 16,7% na comparação anual.
Os autos leves também tiveram desempenho positivo, com alta de 7%. Já o financiamento de veículos pesados despencou 44,6% no período – retração bem mais intensa do que a observada na média nacional.
No Brasil, janeiro também foi de expansão. Foram financiadas 616 mil unidades, o maior volume para o mês desde 2008, com crescimento de 9,2% em relação a janeiro de 2025. Os seminovos lideraram o mercado, com 412 mil unidades (+8,8%), enquanto os modelos zero quilômetro somaram 204 mil financiamentos (+10,1%).
Para Daniel Takatohi, superintendente de Produtos de Financiamento da Trillia, o resultado de janeiro confirma a trajetória de expansão do setor automotivo no país.“O volume registrado em janeiro reflete a consolidação do crescimento do setor automotivo no país. A B3 está preparada para acompanhar essa expansão com uma infraestrutura robusta, e o Sistema Nacional de Gravames desempenha papel central ao mitigar riscos de fraude e tornar mais eficiente a análise e a aprovação do crédito para o consumidor”, afirma.
Ao Jornal de Brasília, o professor de mercado financeiro George Sales, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), diz que o desempenho de janeiro não é isolado. “O mês concentra uma demanda represada do fim do ano. Em dezembro, muitas famílias priorizam gastos com festas, férias e impostos. Ao virar o ano, essas decisões de compra são retomadas”, explica.
Ele destaca ainda que 2026 começou com maior previsibilidade. Os preços dos veículos, tanto novos quanto usados, ficaram praticamente estáveis em janeiro, segundo a Tabela Auto B3. “Quando o consumidor percebe que os preços não estão caindo de forma significativa, tende a antecipar a compra, mesmo com juros altos”, afirma.
No caso do Distrito Federal, o crescimento mais forte no financiamento de motos tem explicação própria. “A moto tem valor financiado menor e está muito associada ao trabalho por conta própria e à mobilidade urbana. Mesmo com juros elevados, é mais viável para quem precisa gerar renda”, analisa.
O protagonismo dos seminovos no cenário nacional se repete na lógica do mercado local. Para Sales, eles continuam sendo a principal porta de entrada para o crédito automotivo.
“Em ambiente de juros elevados, o consumidor busca parcelas que caibam no bolso. O seminovo oferece preço mais acessível e menor depreciação inicial”, diz.
Já a forte queda nos veículos pesados no Distrito Federal reflete, segundo o professor, a estrutura econômica local. “Há menor presença de atividades intensivas em logística pesada, além de maior cautela de empresas e prestadores de serviço diante do custo do crédito de longo prazo”, afirma George.
Preços estáveis, mas em retração
A Tabela Auto B3 mostra que, em janeiro, os preços dos usados recuaram, em média, 0,3% na comparação com dezembro. No acumulado de 12 meses, a queda média chega a 4,5%, com destaque para SUVs (-9%) e picapes compactas (-7,1%), que lideram a desvalorização. Entre os novos, a variação média também foi de -0,3% no mês. No acumulado anual, a retração média é de 5,9%. Para a B3, a redução perdeu força em janeiro, indicando um início de ano mais estável.
Apesar do crescimento, o professor alerta que o cenário ainda exige cautela. Segundo ele, três fatores sustentam a decisão de financiar mesmo com juros altos: necessidade de mobilidade, restrição de liquidez e expectativa de queda futura das taxas. “O principal erro é olhar apenas para o valor da parcela. O consumidor precisa analisar o Custo Efetivo Total, o prazo do financiamento, o percentual da renda comprometida e despesas como seguro, manutenção e IPVA”, afirma.
No Distrito Federal, a renda média mais elevada e a presença de empregos públicos e serviços qualificados ajudam a sustentar o crédito e reduzem o risco imediato de inadimplência. Ainda assim, Sales recomenda prudência. “O veículo se desvaloriza rapidamente, mas a dívida permanece. Se a renda não acompanhar o compromisso assumido, o risco de endividamento cresce.”
Para quem tem estabilidade financeira e planejamento, o momento pode representar oportunidade, especialmente com entrada maior e prazos mais curtos. Para quem está no limite do orçamento, a orientação é esperar ou renegociar condições. O desempenho de janeiro indica retomada, mas o ritmo dos próximos meses dependerá da evolução dos juros e da confiança do consumidor.(*Fonte:JBr)
