Novas doses do palivizumabe são fundamentais para proteger contra a bronquiolite.
Famílias com bebês de menos de um ano (até 11 meses e 29 dias) — nascidos com idade menor do que 29 semanas de gestação (até 28 semanas e 6 dias) e que tenham recebido o palivizumabe em 2025 — já podem levar a criança para receber novas doses do medicamento. A aplicação será feita em oito unidades da Secretaria de Saúde até o fim de julho, sem prorrogação.
A finalidade é reforçar a proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite e de outras infecções graves do trato respiratório em bebês e crianças pequenas.
A época de maior ocorrência dessas doenças é entre fevereiro e julho, chamada de “período de sazonalidade”. A ação de 2026 é um reforço para crianças que já tomaram doses em 2025, seguindo o protocolo do Ministério da Saúde.
A médica Juliana Queiroz, referência técnica distrital (RTD) de pediatria da Secretaria de Saúde, reforça a importância do medicamento: “O palivizumabe é um divisor de águas na vida de crianças que nasceram ou vierem a nascer prematuras extremas, com problemas pulmonares ou cardíacos”.
Proteção
“Nos últimos 14 anos, conseguimos evitar casos graves e até óbitos em uma população extremamente frágil nos primeiros 2 anos de vida, fortalecendo o sistema imunológico dessas crianças, principalmente durante a sazonalidade”
Juliana Queiroz, pediatra da SES-DF
Amanda Carolina de Sousa é mãe do pequeno Mathias, que nasceu com apenas 28 semanas de gestação e acabou desenvolvendo uma série de comorbidades, como broncodisplasia e problemas motores.
“Eu fico muito feliz pela opção do palivizumabe, porque sabemos o quão complicado e sofrido pode ser caso ele venha a ter bronquiolite”, relata. “Seria um grande risco para o meu filho. Então, fico grata e esperançosa.”
Para tomar o remédio, é necessário ter prescrição e relatório médicos atualizados, constando nome da criança e da mãe, data de nascimento, idade gestacional, peso ao nascer e o atual, descrição recente do quadro clínico e detalhes sobre eventuais comorbidades relacionadas à prematuridade. Não é necessário ter termo de consentimento.
Há 460 doses disponíveis na rede pública, com frascos de 50mg e 100mg, a serem usados de acordo com o peso do bebê.
Serão aplicações mensais até o fim do período de sazonalidade, totalizando cinco doses, ou até a criança chegar aos 11 meses e 29 dias.
O estoque é suficiente para a demanda, explica a gerente substituta de Assistência Farmacêutica Especializada da Secretaria de Saúde, Júlia Dantas: “A estimativa inicial é de recebermos cerca de 60 crianças, já que este ano a aplicação do palivizumabe será para concluir aquelas realizadas no ano passado em prematuros extremos”.
Nirsevimabe
Em paralelo, a Secretaria de Saúde já iniciou a aplicação do nirsevimabe para nascidos de até 36 semanas e 6 dias de gestação, além de bebês de até 24 meses que apresentem comorbidades. Essa nova estratégia contra o VSR segue até 1º de agosto deste ano, ampliando o acesso.
O novo medicamento, na prática, vai substituir o palivizumabe, que é aplicado no Brasil desde 2012. A partir de 2027, o nirsevimabe será utilizado para todas as crianças nascidas prematuras no DF.
“Nos últimos 14 anos, conseguimos evitar casos graves e até óbitos em uma população extremamente frágil nos primeiros 2 anos de vida, fortalecendo o sistema imunológico dessas crianças, principalmente durante a sazonalidade”, enfatiza a pediatra da Secretaria de Saúde, Juliana Queiroz.
