Problemas foram detectados no Hospital Regional de Taguatinga durante inspeção da Comissão de Saúde da Câmara Distrital


Uma inspeção realizada no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) por representantes da Comissão de Educação, Saúde e Cultura da Câmara Legislativa constatou que a unidade sofre com falta de equipamentos e de profissionais para atender os pacientes.

 

 Além do mais, durante a visita os parlamentares detectaram superlotação e demora no atendimento à população.

Além da comissão dos distritais, participaram da vistoria, na última quarta-feira (03), representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) e do Conselho de Saúde do DF.

Durante a inspeção, as autoridades constataram pessoas internadas em corredores à espera de macas e falta de profissionais e especialistas em quase todas as áreas.

 Foto: Jorge Monicci

 Um dos principais problemas foi encontrado no pronto-socorro do HRT, que está funcionando além da sua capacidade, com pacientes aguardando nos corredores.

O pronto-socorro do HRT conta com 68 leitos, mas no dia da inspeção havia 80 pessoas sendo atendidas no setor.

 

 Já no sábado (29) a situação era ainda pior, havia 132 pessoas na emergência do hospital, segundo relatos de profissionais de saúde da unidade.

Na pediatria, falta material para punção venosa, usado em procedimentos de rotina.

De acordo com a comissão da Câmara Distrital, também há carência de monitores para a verificação dos sinais das crianças que estão internadas em berços antigos.

 Foto: Jorge Monicci

As autoridades verificaram que o ambulatório de oftalmologia está em boas condições, mas os consultórios estão vazios por falta de profissionais.

 Na nefrologia, existem 30 máquinas de hemodiálise, mas metade está obsoleta e precisa ser substituída, sendo que algumas delas têm mais de 14 anos de funcionamento.

Faltam ainda ar condicionado e ventiladores em algumas salas do HRT.

Na inspeção, foi observado ainda que há problemas de manutenção predial, como infiltrações e mofo.

Houve uma reforma na oncologia, mas faltam equipamentos como videolaparoscópio, afastadores e até luvas de procedimento.

 Faltam macas para os pacientes da quimioterapia e, muitos deles, não conseguem receber os tratamentos sentados em cadeiras.

 Foto: Jorge Monicci

A cozinha do HRT está em obras, mas a previsão é de que fique pronta em até 50 dias.

Para o deputado distrital Gabriel Magno (PT), presidente da Comissão de Saúde que participou da inspeção, os problemas no HRT se agravam por falta de atendimento nas unidades gerenciadas pelo Instituto de Gestão de Saúde do DF (Iges), sendo elas 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

“As pessoas vão às UPAS, não conseguem atendimento e seguem para unidades como o HRT, o que acaba por tumultuar a unidade. As pessoas ficam rodando na rede sem serem atendidas. Lamentamos por encontrar mais uma vez um cenário de caos em mais esta unidade de saúde do GDF”, enfatizou.

O deputado disse ainda que a comissão trabalha na elaboração de um relatório sobre a inspeção realizada no HRT e depois de pronto vai encaminhá-lo à Secretaria de Saúde, Conselho de Saúde, OAB-DF, Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e Ministério Público (MP) com a solicitação de providências em relação aos problemas detectados no hospital.

Ao Jornal de Brasília, o vice-presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB/DF, Fabrício Reis, que acompanhou a inspeção, destacou que aguarda a elaboração do relatório e reuniões com a Secretaria de Saúde para definirem como vão atuar, como Ordem dos Advogados, em relação aos problemas encontrados no HRT. “O que pudemos observar com a visita é que o hospital teve diversas mudanças estruturais, principalmente, mas tem algumas questões que são recorrentes da Secretaria de Saúde, como a falta de insumos e profissionais. Há baixa quantidade de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além da questão da demora e dificuldade de acesso dos pacientes”.

“A visita foi uma iniciativa da Comissão de Saúde, a OAB-DF foi convidada para acompanhar junto com o Conselho de Saúde. Não tinha uma denúncia específica, mas existia diversas denúncias de várias temáticas que foram se acumulando e os deputados decidiram ir ao HRT. Nós da OAB-DF fomos ao HRT para dar um apoio institucional, ou seja, para trazer mais segurança jurídica à vistoria. A OAB-DF vai continuar acompanhando quais serão os próximos desdobramentos para podermos pensar como poderíamos atuar e agir enquanto OAB-DF neste caso”, completou Reis.

Em nota, ao JBr, a Secretaria de Saúde, não comentou se já foi procurada pela comissão da Cãmara Distrital, e nem conformou se o HRT trabalha com falta de equipamentos e profissionais, mas citou os números de atendimento realizados no hospital este ano e em 2023, além de falar sobre as reformas na unidade e recebimento de novos aparelhos.

 “No Hospital Regional de Taguatinga (HRT), trabalham 483 médicos. A pasta destaca que, de janeiro a junho de 2024, foram realizados 211.738 atendimentos/consultas. No mesmo período de 2023, foram 152.536 atendimentos/consultas”.

“Ressaltamos que o HRT é o maior hospital da rede pública de saúde em administração direta e tem passado por revitalizações e reformas nos últimos anos, incluindo: UTI pediátrica e adulto; oncologia; ambulatório e enfermaria; clínica oftalmológica; pronto- socorro pediátrico; enfermaria de cardiologia; enfermarias 312 e 314; sala da mãe nutriz e cozinha. A Secretaria de Saúde destaca que o HRT recebeu recentemente nove aparelhos de anestesia, tomógrafos, aparelho criostato para precisão em cirurgias oncológicas e bombas injetoras para realização de tomografias computadorizadas com contraste”, finalizou a nota. (*Fonte:Clipping JBr)